Quando este vídeo sobre Cimática saiu no TED, fiquei mesmerizada. O experimento revela o efeito de ondas sonoras sobre substâncias sólidas, como areia. Quão mais fortes e tangíveis seriam os efeitos do som em substâncias sutis… como a mente humana?

Cymatics – ou Cimática – leigamente falando, é o nome da ciência que estuda a relação entre som e forma. Soa bacana, não? Espere então até ver este vídeo. Desde então, a comunidade interessada em Cimática cresceu: www.cymatics.co.uk

O que também sabemos (e o ponto de partida deste post: a confluência de saberes) é que os sábios - rishis - da civilização védica indiana e de outras grandes civilizações – como a egípcia – já conheciam e faziam uso dessa tecnologia da natureza, através de mantras. Nos sistemas de yoga, cada mantra tem a sua forma correspondente, o seu yantra: é cimática pura.

E o que dizer sobre o brilhante idioma sânscrito, com seus signos-fonemas que ativam a anatomia sutil de cada chakra, ou centro energético, do ser humano? Maravilhosamente complexo – talvez assunto para um próximo post.

“Através de Sua fala, surgiu o Universo” – Brihad-aranyaka Upanishad (1.2.4)

A tradução livre de mantra é “som que liberta a mente”. A palavra vem do sânscrito: manas – mente, e tra – transpassar,  libertar.

Essa confluência interessante de mantras, yantras e Cimática me faz refletir sobre a profundidade da sabedoria humana, em sua busca para apreender a insondável condição de existir, em eterna relação com o cosmos. Princípios que são distribuídos, encontrados em todas as culturas, sob diferentes formas.

“No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez. Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens.” – Bíblia cristã (Jo 1.1-3)

A sabedoria humana é transmitida, primeiramente, pelo som – seja na forma de signos que representam fonemas, ou diretamente através das ondas sonoras da voz.

Também sabemos que o ouvido humano pode captar apenas uma certa faixa frequencial sonora (de 1000 a 4000 ciclos por segundo). A nossa audição, entretanto, é o único sentido que está 24h por dia “ligado” e portanto, sempre receptivo. O som pode, em todos os sentidos, nos despertar (vide: seu alarme de todo dia)

“A música é o mediador entre a vida sensual e intelectual…a única entrada para o elevado mundo espiritual” – Ludwig Van Beethoven

As antigas escrituras védicas propõem mantras que são como suaves e eficientes alarmes transcendentais (e muito mais agradáveis). Mantras que, entoados com frequência e em circunstâncias adequadas, podem expandir nossa consciência ao ponto de captarmos a verdade inefável da nossa misteriosa existência… Além de nos colocar em estados imediatos de felicidade e harmonia, libertando-nos da inquietude mental.

O som é então essa estrada de mão-dupla que pode nos levar, aqui e agora, a experimentar a transcendência; além da dimensão material, e ao mesmo tempo, profundamente interior. Um estado de plenitude satisfeita, identidade e conexão com tudo o que há. Mistério que não cabe, realmente, em palavras…

Por Maisa La Macchia


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